Índice de poemas

Ao censor:

Áurea

Classificado

Criatura

Envoltura

Divergências

Fantasía

Insurrecto

Lluvia

Nostalgia

Partida

Poema furtivo

Prisão e liberdade

Substancia

Súplica

Terapia do riso absurdo

Vestuario
 

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Ao censor:

Lê e critica meu verso,
Que te é permitido fazê-lo.
Só não me prives, te peço,
Do direito de escrevê-lo.
 

Áurea

Hago poemas
en versos negros
y versos blancos
para que todo poema
sea libre.
 


Classificado

Contrata-se um assassino, um matador de aluguel
que tenha na profissão bastante experiência.
Deve ser frio, calculista, insensível e cruel.
Exige-se carta de referência.

Quem o trabalho puder assumir,
favor encontrar-me na mais triste praça.
Direi que a vítima não vai reagir,
que é homem semimorto, descartável e sem graça.

Mas que seja certeiro o tiro ou o golpe do punhal:
não quero que o ferido se arrependa.
Melhor no coração, pra ser fatal.

Depois, já não haverá dor ou ferida.
E que o contratado não se surpreenda
ao saber que o pagamento é a minha vida.
 



 

Criatura

Quimagem é esta de mulher que me persegue,
vinho suave que eu sequioso me embriaga,
que teima em existir por mais que eu negue,
me abraça, me incendeia e logo se apaga?

Ave branca que atravessa meu caminho
e cruel, com seus beijos me amordaça,
me faz enlouquecer com seus carinhos,
depois me abandona esvoaça...

Por que me segues tanto, ó criatura,
vinda de um sonho antigo ou do futuro,
me dás a ilusão de uma ventura
e então me deixas só no quarto escuro?

E assim, abandonado os dias passo,
fechado, longe de tudo, enfadonho,
ansiando pelas noites quando abraço
a doce imagem dela quando sonho.
 

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Envoltura


¿Idiota! ¿No ves que nada eres?
Apenas fina capa mohosa te protege
de la podredumbre. Gusanos hambrientos te rodean.

¿Ignoras que en un pase mágico, en un segundo apenas
cae por tierra toda la altivez y el bello
papel de regalo revela la fétida masa?

El gusto amargo de la hiel, la visión incierta,
el torcerse de las piernas, el descontrol total...
todo es inevitable!

Cualquier día serás presa fácil:
el tiempo es impiedoso.
El trágico fin no depende de tu voluntad.

La arrogancia que derramas no pasa
de ser faceta inútil de tus diversas faces
vanas y mundanas.

Al sol poniente, el rostro marchito y los huesos corroídos
dolerán más que en aquellos que tuvieron
la precaución y el buen tino de ser
simples y ocultos.

Quedarán tus lindos cabellos...
¿Y qué utilidad tendrán tus cabellos, hilos
huérfanos y subterráneos, dispersos, opacos
sobre los huesos.

 

Divergências

Sendo o beijo sutileza,
o teu beijo já não sinto,
pois ao beijar-te pressinto
que em meus lábios outro beijas...

Se me imploras abraçar-te
e em meus braços te enlaço,
tudo é vão, pois o abraço
não é meu: 'stou noutra parte...

Eis tu, muda; eis-me mudo
na solidão da noite calada.
Sabes que para mim já não és tudo;
sei que para ti também sou nada.
 



Fantasia
Para Rosangela de Fátima

Ó bela Flor, purpúrea, serena,
de sutil formosura, eflúvio de rosas....
Desvelada Flor, sublime, amena,
mescla escarlate das veias ardorosas.

Ó infinita Flor, plácida, aérea,
rubra Flor dos meus anseios...
Visão indelével, magicamente etérea,
lampejo de cor dos devaneios...

Ó Ros'angelical, rósea Flor mirim,
fulgente glória dos meus sonhos,
cobre-me com pétalas carmim!

Ó majestosa Flor, pujante e sincera,
sê real! Dissipa a névoa do medonho,
ó inefável Flor de Quimera...

 

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Insurrecto

Misérrima
vida
de favela
que viví.

Desvalida
vida ávida
desprovista,
vida sin brío,
bajo puentes,
sobre ríos.

La vi vil,
hostil,
dividida.

Quisiera verla
a la luz de velas,
vajillas...

¡Ah! Vida vil,
vil vida.

¿Vio vida más vil?
¿Vio?

Oh Orco!

Al verme
vil gusano,
osaré verla
in extremis
a la luz de velas!
 


Lluvia

Un cuerpo sobre la mesa -
y fuera el día llora
aguas de la tristeza.
 



Nostalgia

Helena? Helena? Onde 'stás agora?
Apesar do pouco tempo da partida,
a lembrança me castiga, faz ferida
e a tristeza solidária me namora.

Onda calma de sono me invade
quando oscilo sobre a rede no quintal.
Teus beijos... teus abraços... teu rosto divinal...
que saudade, Helena! Que saudade!

Tremor vago o meu corpo já domina,
ao sentir que a bela fantasia
s'esvaece logo que o sonho termina.

E quem entende a minha dor, o meu desgosto
e a escassez que há em mim de alegria,
é o zéfiro que banha o meu rosto.

 


Partida

Devo partir hoje,
o mais tardar amanhã.

E não quero que me vejas hoje,
para não guardares de mim uma saudade triste,
uma saudade recente,
pois agora estou assim, triste,
por saber que hoje, o mais tardar amanhã,
não poderei mais te ver.

Quero que guardes de mim
uma lembrança feliz de ontem,
quando rimos, quando brincamos,
quando meus olhos brilhavam ao te ver,
quando eu ainda não sabia que ia partir.

Não quero te ver hoje,
para que guardes de mim
apenas o que viste ontem nos meus olhos
e o que sentiste no meu corpo.

Quero que fique contigo
apenas o que levarei de ti comigo:
alegria, alegria, alegria!
 


Poema furtivo

O poeta ao falar de si fala dos outros,
Que cada um tem um quê do outro.

Tudo é como se fosse um amarrio de cordas
Seguidas, compassadas, continuadas.

O poeta ao falar dos outros fala de si,
Que cada um outro tem um quê de nós,
Cada um vive a vida alheia sem saber
E morre na morte do outro.

Cada poema é impessoal, é de todos,
Ainda que impregnado de evidências da mão.
O meu seu poema dele não existe.

 



Prisão e liberdade


À noite, o rosto nas grades da janela
do colégio interno onde estudava,
perguntei ao padre que cidade era aquela,
toda escura, de onde nada se escutava.

Aos domingos, muita gente lá passeia
e outras, brancas, imóveis - serão guardas?
Em novembro de flores fica cheia
e de velas as finas ruas enfeitadas.

-Que cidade é esta, diz pra mim,
que me atrai com seus noturnos mistérios?
O padre me olha sério e diz por fim:

-Ali moram reis e rainhas de finados impérios,
ricos, pobres, crianças, todos que dormem, enfim...
Aqueles muros brancos, filho, são os muros do cemitério.


 

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Substancia
(Poema en italiano)
Para Rosangela de Fatima

Mi trovo tante volte pensando a te
e visualizzo la tua perfetta forma di donna,
di giorno a sfiorare le labbra di velluto,
la notte ad accarezzare la seta dei capelli.

Se sei lontano da me, giorno dopo giorno
ti trasformo nella delizia del frutto che apprezzo,
nella frescura dell’acqua che mi sazia la sete
e nella sostanza che mi permette il domani.

Posso sentirti nella soave brezza mattutina,
nei primi raggi del sole che mi riscaldano
e sempre ti vedo in ogni oggetto, in ogni volto,
in ogni goccia di brina della verde erba
e nel battito delle ali delle rondinelle…
sono piccolino davanti alla tua presenza
e oscuro nella tua trasparenza,
ma i miei occhi mantengo serrati
mentre il giorno corre,
finchè l’ora vitale non giunge
finchè ti incontro, nata dal nulla,
fiorita, cristallina davanti ai miei occhi
e bevo dalla tazza delle tue labbra
e m iscaldo al sole del tuo sorriso
e mi sciolgo in infantile allegria
e se ne vanno dal mio volto l’ombra e l’amarezza
e tutto ciò che mi fa soffrire quando non ti ho.

Onda che vieni e che vai
e torni nuovamente
e torni a partire
ma che non si ferma mai.
In questo oceano di delizie che è il tuo corpo
che bagna il mio corpo
che fa nascere il sole sul mio volto.

E’ la delizia, la dolcezza dei miei giorni
e ad ogni ora ti aspetto
per regnare sempre nella mia vita.

 



Súplica

Reza por mim, amor.
Reza por mim
e não serei um mero grão disperso,
e não serei um anel de Saturno
desgarrado, solto no espaço-tempo
da Eternidade.

Que aqui tudo é mistério,
tudo é descoberta,
há outro sentido,
outro conceito de Existência.

Aqui não há espera,
só a lembrança fugaz,
só a vaga imagem do teu rosto
na moldura do Infinito.

Não te deixei, amor,
roubaram-me de ti,
despejando-me no vácuo do tempo.

Reza por mim,
fumaça disforme ora diluída,
ora rejuntada,
assumindo formas várias e inúteis,
bailando aos dissabores
da inconsciência.

Reza por mim, amor.

Imagina-me como um lago
de águas puras, serenas,
e assim hei de ser
para matar minha sede
de ti.



Terapia do riso absurdo

Contraídos o risório e o zigomático,
explode em ti sonora gargalhada.
Do veneno do teu riso tão elástico
minhas cordas também são contagiadas.

Tudo em ti é motivo de euforia
e até o vento faz-me cócegas passando.
De tudo rimos e na falsa alegria
o teu riso com o meu riso vai rimando.

Com o riso tu me enganas e eu te engano.
Se sorrimos, damos bah! para a tristeza.
Riamos, que o riso encobre o dano.

Devemos rir, pois só o riso nos sobeja.
Serão bobos? vão dizer. Somos insanos!
E talvez rindo, a triste Morte não nos veja.


 



Vestuario

Roupas, roupas,
vestimentas,
enganos do corpo,
engodos, farsas.

Panos, panos,
linhos grossos,
fininhos,
obstrução de caminhos...



 

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© Alea's World - Abril  2011